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A tese resiste porque o cenário dela deixou de ser hipótese. Em junho de 2013, atendendo a um pedido de acesso apresentado por pesquisadores do Arquivo de Segurança Nacional na universidade George Washington, a CIA liberou uma versão bem menos censurada de uma história interna dos programas U-2 e OXCART, escrita por Gregory Pedlow e Donald Welzenbach.
O que exige cuidado é o salto seguinte, o de tratar o reconhecimento de uma base como aval do conteúdo do relato de 1989. A conclusão firme cabe numa linha: o documento confirmou o endereço e a atividade de aviação experimental, e não mencionou nave alguma.
O que está documentado: a seleção do leito seco em abril de 1955 por uma equipe da Lockheed e da CIA, o apelido Paradise Ranch usado para atrair técnicos ao deserto, o primeiro voo do U-2 em agosto do mesmo ano e o uso posterior do campo para o A-12 e para aeronaves de baixa observabilidade.
O que a defesa da tese sustenta: que uma instalação capaz de esconder por trinta anos a existência de programas inteiros de aviação, incluindo aeronaves que só foram apresentadas ao público muito depois de operacionais, é exatamente o tipo de lugar em que um programa mais estranho caberia sem vazar.
O que continua em disputa: se o relato de 1989 nasceu de acesso real a alguma parte do complexo, de conversa de bar bem informada, ou de invenção montada sobre boatos que já circulavam entre trabalhadores do deserto desde a década anterior.
Os números que costumam circular no assunto, com a origem de cada um:
| · Seleção do leito seco de Groom para o programa U-2: abril de 1955 |
| · Entrevista com o nome do técnico ao vivo na KLAS-TV: 13 de novembro de 1989 |
| · Primeira retirada de terras públicas para bloquear a vista: 1984 |
| · Fechamento dos últimos pontos de observação: 1995 |
| · Liberação do relatório da CIA que nomeia o lugar: junho de 2013 |
O ponto mais frágil da versão popular é a ausência de segunda fonte. Um lugar que empregou milhares de pessoas por décadas produziu delatores sobre resíduo tóxico e condições de trabalho, e nenhum segundo técnico disposto a descrever hangar de disco com a mesma riqueza de detalhe.
Há também a confusão entre secreto e sobrenatural. Um campo de provas onde se voava, nos anos 1970, uma aeronave facetada que devolvia ao radar o eco de um rolamento de esfera explica sozinho boa parte das luzes que moradores viram e não souberam nomear.
E existe o efeito da própria negação. Enquanto a resposta oficial foi não confirmar nem negar, cada evidência banal, um ônibus, um voo, uma cerca, virava pista de algo maior, porque nenhuma explicação inocente estava autorizada a existir.
Então por que a teoria continua crescendo mesmo com o documento na mesa? Porque a parte mais improvável dela já saiu do campo da fé. Existe mesmo uma base cuja existência foi negada por quase sessenta anos e admitida por escrito só em 2013, e depois de uma frase dessas qualquer capítulo seguinte soa plausível por comparação.
O caso de Nevada é o exemplo raro em que a confirmação oficial trabalhou a favor da lenda. O relatório de 2013 provou a base e não provou a nave, mas o hábito de negar por décadas ensinou o público a ler cada desmentido como confirmação atrasada, que é exatamente o combustível de que a teoria vive.
"Quando o Estado nega por sessenta anos algo que existe, quanto vale o desmentido seguinte?"
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