A resposta de ontem Onde vive hoje Grigory Rodchenkov, o químico de Sóchi? Grigory Rodchenkov vive nos Estados Unidos sob o programa federal de proteção a testemunhas, em endereço mantido em segredo desde 2016. Ele dá entrevistas por vídeo com o rosto escondido, e em 2020 o Congresso americano aprovou a Lei Rodchenkov, que pune fraude de doping em competições com atletas dos Estados Unidos. |
Mohamed Chande Othman, ex-presidente da Suprema Corte da Tanzânia, entregou em 2019 ao secretário-geral António Guterres o relatório final do painel que a ONU montou para reabrir a queda de Ndola.
Othman tinha sido nomeado em 2015 para chefiar um grupo de especialistas independentes. Revisou os autos das comissões de 1962, ouviu testemunhas ainda vivas e pediu documentos a governos de vários países.
A conclusão de 2019 virou a tese aceita por quase 60 anos. O texto diz que um ataque vindo de fora do avião, ou uma ameaça que assustou os pilotos na descida, é explicação plausível para a queda.
“Parece plausível que um ataque ou uma ameaça externa tenha sido causa da queda, seja por um ataque direto, seja por provocar uma distração momentânea dos pilotos.” Mohamed Chande Othman, relatório à Assembleia Geral da ONU, 2019.
O caminho até o relatório
O caso voltou ao debate em 2011, com o livro Who Killed Hammarskjöld? (Quem matou Hammarskjöld?), da historiadora britânica Susan Williams, do Instituto de Estudos da Commonwealth, em Londres.
O livro levou um grupo de juristas a montar, por conta própria, a Comissão Hammarskjöld, presidida pelo juiz britânico Stephen Sedley. Em setembro de 2013, a comissão afirmou haver prova persuasiva de que o avião sofreu ataque ou assédio aéreo e recomendou à ONU reabrir o caso.
A Assembleia Geral aceitou. Othman entregou um primeiro relatório em 2015, outro em 2017 e o de 2019, cada um mais grosso de papéis do anterior.
Os ouvidos de Chipre
Uma das peças mais citadas veio do americano Charles Southall. Em 1961, ele trabalhava para a NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, numa estação de escuta em Chipre.
Southall contou à comissão Sedley que, naquela noite, ouviu a gravação de um piloto descrevendo pelo rádio um avião iluminado e dizendo que ia atirar. Minutos depois, segundo ele, a voz anunciou que o alvo tinha caído.
A NSA admitiu ter localizado alguns documentos sobre a noite de Ndola e manteve todos em sigilo.
Os arquivos fechados
O relatório de 2019 tem um alvo direto: os governos que ainda guardam papéis. Othman citou os Estados Unidos, o Reino Unido, a África do Sul e a Bélgica entre os países que não demonstraram ter feito busca completa nos próprios arquivos de inteligência.
Sem esses papéis, o juiz não pôde dizer quem atacou, com qual avião, nem a mando de quem. O relatório afirma o que a prova permite: a hipótese do ataque cabe nos fatos, e o erro simples da tripulação já não explica a queda sozinho.
A ONU manteve Othman no posto depois de 2019 para seguir cobrando os governos. Até hoje, nenhum deles entregou documento que feche o caso.
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