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O rumor ganhou segunda vida em 1995 dentro de uma concorrente: Randy Haugen, distribuidor de alto escalão da Amway em Utah, gravou uma mensagem no sistema de correio de voz da rede repetindo a história do pacto com o diabo.
A mensagem dizia que o presidente da Procter & Gamble tinha falado de satanismo num programa de televisão e terminava com a lista de produtos a evitar. Os revendedores da Amway, que vendiam itens concorrentes, eram exatamente o público que lucrava com o boicote.
A Procter & Gamble processou Haugen e outros distribuidores em 1995, acusando-os de difamação e de concorrência desleal. A própria Amway foi incluída numa ação separada, que acabou rejeitada pela Justiça.
O caso contra os distribuidores se arrastou por mais de uma década, com recursos e idas e vindas entre tribunais. Em março de 2007, o júri federal em Salt Lake City condenou Haugen e mais 3 ex-distribuidores a pagar 19,25 milhões de dólares.
Por que o rumor não morre
A história tinha um motor comercial. No caso da Amway, quem espalhava a acusação ganhava dinheiro quando o cliente trocava o Tide da prateleira pelo sabão vendido de porta em porta.
Também tinha um motor religioso. O começo dos anos 1980 viveu nos Estados Unidos uma onda de medo de cultos satânicos, com livros, sermões e reportagens de televisão sobre rituais que nunca se comprovaram.
E tinha um motor visual. Um desenho antigo, cheio de detalhes, oferece o que o boato precisa: qualquer pessoa pode olhar a caixa e achar a prova por conta própria.
Os 19,25 milhões de dólares de 2007 não apagaram o folheto da internet. Versões do texto, com a mesma confissão inventada, ainda circulam em correntes de mensagem e fóruns religiosos.
O próprio recuo de 1985 reforçou a suspeita. Para quem acreditava no folheto, uma empresa inocente não teria motivo para esconder o logo.
O que o caso estabeleceu: o homem na lua nasceu de um carimbo de porto de 1851, as 13 estrelas são as 13 colônias e nenhum executivo da empresa confessou pacto algum na televisão.
O que continua sem resposta: quem escreveu o primeiro folheto, no fim dos anos 1970. A Procter & Gamble investigou por anos e nunca chegou ao nome.
"Se o logo escondia um pacto, por que ele estava nas caixas desde 1851?"
Confira sozinho, em três buscas: a reportagem da Associated Press de 20 de março de 2007 sobre o júri de Salt Lake City; o ano de registro da marca do homem na lua, 1882; o anúncio de abril de 1985 em que a empresa tirou o logo das embalagens.
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