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Em 4 de outubro de 1957, a Avro Canada apresentou o primeiro Arrow a uma plateia de cerca de 13 mil pessoas em Malton. No mesmo dia, a União Soviética pôs em órbita o Sputnik, e a cerimônia sumiu das primeiras páginas.
O avião tinha nascido de um pedido da Real Força Aérea Canadense, de 1953, por um interceptador de longo alcance. A missão era derrubar bombardeiros soviéticos que cruzassem o Ártico rumo às cidades da América do Norte, em qualquer tempo e de dia ou de noite.
O Arrow era grande para um caça: asa em delta, dois motores, dois tripulantes e um compartimento interno de armas. Os engenheiros da Avro desenharam o avião quase do zero, com comandos de voo assistidos eletronicamente, uma novidade para a época.
O radar e o sistema de controle de tiro, chamado Astra, também seriam desenvolvidos sob encomenda, pela americana RCA. O míssil previsto, o Sparrow II, viria de outro fornecedor dos Estados Unidos. Os dois foram cancelados no meio do caminho, e cada troca empurrou o cronograma e o orçamento para cima.
Mach 1,98
O primeiro voo aconteceu em 25 de março de 1958, com o piloto de testes Janusz Żurakowski, um polonês que tinha lutado na Batalha da Inglaterra. Nos meses seguintes, os cinco aviões de pré-série voaram cerca de 70 horas somadas.
Num desses voos, o Arrow chegou a Mach 1,98, quase o dobro da velocidade do som, ainda com motores americanos Pratt & Whitney J75, provisórios. O Iroquois, mais potente, prometia passar disso, mas não chegou a voar instalado no caça.
A conta subia
O custo crescia a cada revisão. O governo liberal de Louis St. Laurent tinha encomendado o projeto, e o conservador Diefenbaker, eleito em 1957, herdou a conta. Somados o avião, o motor, o radar e o míssil previstos, cada unidade sairia muito mais cara do que os planos iniciais.
Em setembro de 1958, Diefenbaker anunciou que o programa seria revisto em seis meses. Ottawa tentou vender o Arrow aos Estados Unidos e ao Reino Unido. Nenhum dos dois comprou.
A Força Aérea britânica já tinha decidido apostar em mísseis, e os americanos ofereceram ao Canadá aviões próprios a preço de ocasião. Dentro do governo, o ministro da Defesa, George Pearkes, defendia que o dinheiro rendia mais em radares e mísseis do que em uma frota pequena de interceptadores caros.
O anúncio de fevereiro veio sem plano de transição para a Avro. A empresa, por decisão do presidente Crawford Gordon, demitiu a força de trabalho inteira no mesmo dia, um gesto que o governo leu como pressão política e os funcionários lembram como a Sexta-Feira Negra.
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