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O que mantém a conspiração viva é o tamanho da aposta: o bolsão ocidental do golfo fica sobre a mesma bacia geológica de campos americanos como o Great White, que a Shell começou a explorar em 2010 a cerca de 2.400 metros de profundidade.
A tese da CIA resolve um incômodo real. É difícil aceitar que um país perdeu área de petróleo por causa de um erro de desenho de 500 anos. Uma ilha explodida por espiões dá um culpado, e um culpado estrangeiro reforça discurso em ano de eleição.
Mas a explosão esbarra na física. Afundar uma ilha inteira, mesmo pequena e de areia, deixaria cratera, entulho espalhado e registro sísmico. Os sismógrafos da região não apontaram nada parecido, e o levantamento do Justo Sierra mostrou fundo regular no ponto marcado.
O acordo que veio depois
O México seguiu negociando sem Bermeja. Em fevereiro de 2012, os governos de Felipe Calderón e Barack Obama assinaram o Acordo sobre Jazidas Transfronteiriças de Hidrocarbonetos (reservas de petróleo e gás que cruzam a fronteira). O texto regula como os dois países exploram juntos os campos cortados pela linha.
O acordo encerrou a moratória do tratado de 2000 e abriu a área para leilões dos dois lados. Nenhuma das partes citou a ilha no texto final. Para a diplomacia mexicana, a questão estava resolvida pelo relatório da UNAM.
O que se sabe e o que não se sabe
Sabe-se que nenhuma ilha existe hoje no ponto das cartas, e que nenhuma expedição moderna encontrou restos de uma. Também se sabe que a linha de 2000 foi traçada com recifes reais como base, e não com Bermeja.
Não se sabe se a ilha existiu algum dia. Nenhum relato de desembarque, amostra de rocha ou registro de farol sobreviveu. O atlas de Santa Cruz não diz qual piloto informou a ilha, e esse nome pode nunca aparecer, porque os relatos originais da Casa de Contratação se perderam em boa parte.
A hipótese mais aceita entre cartógrafos é a do erro copiado: um baixio, uma mancha de algas ou uma confusão de coordenadas registrada em 1539 e replicada por quatro séculos. A conspiração da CIA não tem prova, e a ilha também não.
“Se Bermeja nunca existiu, por que o México a manteve nos mapas oficiais até o século 20?”
Confira sozinho, em três buscas:
• o “Islario general” de Alonso de Santa Cruz, na Biblioteca Nacional da Espanha;
• o tratado de 9 de junho de 2000 entre México e Estados Unidos sobre o golfo;
• a expedição do navio Justo Sierra, da UNAM, em 2009.
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