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O julgamento começou em 21 de setembro de 2009, no tribunal correcional de Paris (a corte que julga crimes de média gravidade). No banco estavam Villepin, Gergorin, Lahoud, Denis Robert e Florian Bourges.
Na chegada, diante das câmeras, Villepin mirou o presidente da República: “Estou aqui pela vontade de um homem, pela obstinação de um homem, Nicolas Sarkozy, também presidente da República francesa”, disse ele em 21 de setembro de 2009.
Sarkozy, parte civil no processo e chefe de Estado ao mesmo tempo, piorou a situação dias depois. Numa entrevista na televisão, chamou os réus de “culpados”, e os advogados de defesa acusaram o presidente de pressionar o tribunal.
A sentença de janeiro
O tribunal decidiu em 28 de janeiro de 2010. Villepin foi absolvido: os juízes não encontraram prova de que ele soubesse da falsificação nem de que tivesse incentivado o corvo.
Gergorin foi condenado a 3 anos de prisão, 15 meses em regime fechado, e multa de 40 mil euros. Lahoud recebeu 3 anos, 18 meses em regime fechado, e a mesma multa. Denis Robert e Florian Bourges saíram absolvidos.
Para o jornalista, a absolvição teve peso próprio. Robert tinha passado anos respondendo a processos movidos pela Clearstream por causa do livro, e o tribunal reconheceu que ele não participou da falsificação das listas.
O promotor de Paris, Jean-Claude Marin, recorreu da absolvição de Villepin no dia seguinte. A decisão reforçou a leitura de que o Ministério Público seguia a vontade do Palácio do Eliseu.
A apelação e o que ficou
A corte de apelação de Paris julgou o caso em 2011 e, em 14 de setembro daquele ano, confirmou a absolvição de Villepin. Gergorin e Lahoud tiveram as condenações mantidas, com penas revistas.
Sabe-se que as listas foram adulteradas, que o CD chegou ao juiz pelas mãos de Gergorin e que os nomes falsos saíram do material trabalhado por Lahoud. Os dois tribunais concordaram nesses pontos.
Não se sabe, com prova aceita pela justiça, se alguém acima de Gergorin encomendou a manobra. Os cadernos de Rondot sugerem que o governo conhecia as listas em janeiro de 2004, mas não provam ordem para usá-las contra Sarkozy, e Chirac nunca foi ouvido como réu no caso.
Villepin deixou o governo em 2007 e fundou um partido próprio, que não decolou. Sarkozy cumpriu o mandato até 2012 e perdeu a reeleição. A lista falsa sobreviveu aos dois como exemplo de manobra que fere quem a lança.
A pergunta que o caso deixa: uma lista com dados verdadeiros e nomes falsos engana mais que uma lista inteiramente inventada?
Confira sozinho, em 3 buscas:
• a reportagem do Le Point de 8 de julho de 2004;
• a sentença de 28 de janeiro de 2010, em Paris;
• a decisão da apelação de 14 de setembro de 2011.
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