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A Time-Life desfez a sociedade com a Globo em 1969. Roberto Marinho comprou a parte do grupo americano e assumiu sozinho o controle da emissora e do prédio do Jardim Botânico.
Para pagar, Marinho recorreu a empréstimos bancários no Brasil. Os pagamentos à Time-Life se estenderam pelos primeiros anos da década de 1970, até a quitação completa.
O valor final do acordo nunca foi divulgado em documento oficial aberto ao público. Livros sobre o caso trazem estimativas diferentes, e a Globo não publicou os números da operação.
Por que a americana saiu
Os motivos citados pelos dois lados foram de negócio. A Time-Life perdia dinheiro com emissoras no exterior e decidiu reduzir a presença em televisão fora dos Estados Unidos no mesmo período.
O desgaste da comissão também pesou. Uma sociedade declarada inconstitucional pelo Congresso deixava o investimento exposto a qualquer mudança de governo.
Joseph Wallach ficou no Brasil depois da saída do grupo. Deixou a Time-Life, naturalizou-se brasileiro e seguiu como executivo da Globo por anos.
A Globo cresceu nos anos seguintes já sem a sócia. Em 1969, entrou no ar o Jornal Nacional, primeiro telejornal transmitido em rede para várias capitais ao mesmo tempo, usando a estrutura de micro-ondas da Embratel, a empresa estatal de telecomunicações. A emissora formou a rede que, nas décadas seguintes, dominaria a audiência no país.
A lei também mudou. O Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, e as constituições seguintes mantiveram a proibição de estrangeiro dono de emissora. Só em 2002, com a Emenda Constitucional 36, o Brasil passou a aceitar capital estrangeiro em empresas de comunicação, limitado a 30% do capital total e sem poder de gestão.
O que se sabe e o que não se sabe
Sabe-se que os contratos existiram, porque a comissão os leu e o relatório os descreveu. Sabe-se que a Câmara os declarou contrários ao artigo 160 e que o governo militar não puniu a emissora.
O jornalista Daniel Herz reuniu os documentos do caso no livro “A História Secreta da Rede Globo”, publicado em 1987, e sustentou que o dinheiro americano foi decisivo para a largada da emissora.
Não se sabe, com documento público, quanto a Time-Life recebeu na saída nem se houve pressão direta do governo para encerrar o processo de 1968. Os arquivos do Contel sobre o caso não foram divulgados por inteiro, e por isso a pergunta segue sem prova.
A pergunta que o caso deixa: se a lei proibia o estrangeiro dono, o que ela dizia sobre o estrangeiro credor, locador e sócio oculto?
Confira sozinho, em três buscas:
• o artigo 160 da Constituição de 1946;
• o relatório de Djalma Marinho, de agosto de 1966;
• a saída da Time-Life da Globo, em 1969.
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