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O Paraguai de Solano López, apresentado pela tese como país fechado aos ingleses, dependia de engenheiros, médicos e maquinistas britânicos contratados pelo próprio Estado.
O engenheiro-chefe do governo era o inglês William Whytehead, que projetou o arsenal de Assunção. O médico-chefe do Exército paraguaio era o escocês William Stewart, que acompanhou as tropas até o fim da campanha.
Máquinas, vapores e técnicos vinham da firma londrina John and Alfred Blyth, fornecedora do governo paraguaio. A ferrovia de 1861 foi traçada por engenheiros britânicos, com trilhos e locomotivas trazidos da Inglaterra.
A historiadora Josefina Plá levantou nomes, salários e funções desses contratados em The British in Paraguay, 1850-1870, publicado em 1976. A autonomia industrial da tese tinha sotaque de Londres.
O algodão também não sustenta o motivo. Durante a falta provocada pela Guerra Civil americana, as fábricas inglesas se abasteceram no Egito e na Índia, e o algodão do Sul dos Estados Unidos voltou ao mercado em 1865.
O empréstimo dos Rothschild tampouco prova encomenda. Banqueiros de Londres emprestavam ao Brasil desde a Independência, a juros de mercado, e depois da guerra emprestaram ao próprio Paraguai derrotado, em 1871 e 1872.
Doratioto não absolve os aliados. Maldita Guerra descreve a ocupação de Assunção em 1869, os saques, a caçada a López até Cerro Corá, onde ele caiu em 1º de março de 1870, e a destruição da população paraguaia.
Thomas Whigham e Barbara Potthast, em artigo publicado em 1999 na Latin American Research Review, estimaram que o Paraguai perdeu entre 60% e 69% dos habitantes que tinha antes da guerra.
É esse luto que alimenta a tese. Uma tragédia desse tamanho pede um culpado à altura, e um império distante, rico e sem rosto serve melhor que a soma de ambição de López, cálculo de Mitre e teimosia de Pedro II.
A versão inglesa ainda livra os três países de olhar para dentro. Se Londres puxou os cordões, ninguém em Assunção, Buenos Aires ou no Rio precisa responder pelas decisões que tomou.
O que o caso estabeleceu: a guerra nasceu de disputas no Prata, com o Paraguai abrindo fogo em 1864; os despachos britânicos lidos por Doratioto não trazem ordem de Londres, e o Brasil estava sem relações com a Inglaterra quando ela começou.
O que continua sem resposta: o tamanho exato da perda paraguaia. Os censos anteriores a 1864 são incompletos e contestados, e por essa razão as estimativas dos historiadores seguem variando.
"Se Londres queria a guerra, por que estava sem embaixador no Rio quando ela começou?"
Confira sozinho, em três buscas: o rompimento entre Brasil e Grã-Bretanha em junho de 1863, na Questão Christie; o encontro de Edward Thornton com Pedro II em Uruguaiana, em setembro de 1865; o artigo 7º do Tratado da Tríplice Aliança, de 1º de maio de 1865.
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