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Lobato não aceitou o desfecho. Para ele, o governo tinha achado o petróleo tarde e agora concentrava tudo no CNP para controlar a riqueza sem a iniciativa privada.
Em maio de 1940 ele escreveu a Getúlio Vargas. A carta acusava o Conselho Nacional do Petróleo de atrapalhar a exploração e criticava a política do governo em tom duro, num momento em que criticar o ditador era crime.
A carta saiu do gabinete direto para a polícia. O Tribunal de Segurança Nacional, corte criada em 1936 para julgar crimes contra o regime, abriu processo contra o escritor. |
Os 90 dias de prisão
Monteiro Lobato foi preso em março de 1941, em São Paulo, e condenado a seis meses de detenção. Tinha 58 anos e era um dos autores mais lidos do país.
Na prisão, em São Paulo, recebia visitas, escrevia cartas e continuava defendendo as mesmas teses que o tinham levado até ali.
A prisão virou escândalo entre escritores e jornalistas. Depois de cerca de três meses, Vargas assinou um indulto (o perdão da pena pelo chefe do governo), e Lobato saiu da cadeia em junho de 1941.
Do livro à Petrobras
A campanha pelo petróleo continuou sem ele no comando. No fim dos anos 1940, estudantes, militares e políticos levaram às ruas o lema “O petróleo é nosso”, defendendo o monopólio do Estado.
Lobato morreu em São Paulo em 4 de julho de 1948, antes de ver o resultado. Em 3 de outubro de 1953, Vargas, de volta à Presidência pelo voto, sancionou a Lei 2.004, que criou a Petrobras e deu à União o monopólio da exploração.
O escritor que pedia empresa privada furando poço virou símbolo de uma estatal. A conspiração que ele denunciou nunca foi provada; o petróleo que ele jurava existir estava lá.
Confira sozinho, em 3 buscas:
• o Decreto-Lei 395, de 29 de abril de 1938, que criou o Conselho Nacional do Petróleo;
• o poço DNPM-163, no bairro do Lobato, em Salvador, em 21 de janeiro de 1939;
• a Lei 2.004, de 3 de outubro de 1953, que criou a Petrobras.
O jorro de 1939 não nasceu de geólogo nem de escritor, e sim de uma pista que os moradores repetiam havia anos.
Fica a pergunta · até amanhã Quem levou ao governo, anos antes do jorro, a lama oleosa do bairro do Lobato? |
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