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O aviso sem assinatura que chegou dez dias antes
Em 26 de outubro de 1605, lorde Monteagle recebeu na porta de casa uma carta sem assinatura mandando ficar longe da abertura do Parlamento.
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Londres, 1605, o aviso sobre a mesa
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"They shall receive a terrible blow this Parliament, and yet they shall not see who hurts them", eles receberão um golpe terrível neste Parlamento e ainda assim não verão quem os fere, foi a frase que o relato oficial da Coroa inglesa, "A True and Perfect Relation of the Whole Proceedings against the Late Most Barbarous Traitors", Uma relação verdadeira e completa de todo o processo contra os últimos traidores mais bárbaros, impresso em Londres por Robert Barker em 1606, reproduziu de uma carta sem remetente.
O papel tinha pouco mais de uma dúzia de linhas, grafia irregular, ortografia atrapalhada e nenhuma assinatura. Mandava o destinatário inventar uma desculpa para faltar à abertura do Parlamento, queimar o bilhete depois de ler e se recomendar a Deus. O original está no Arquivo Nacional britânico, em Kew, sob a referência SP 14/216/2, com fotografia publicada no catálogo.
A sessão marcada para 5 de novembro de 1605 reunia num salão só o rei Jaime I, o príncipe Henrique, os lordes, os bispos, os juízes e os representantes da Câmara dos Comuns. Debaixo desse salão, num porão alugado em nome de Thomas Percy, havia 36 barris de pólvora cobertos por feixes de lenha e barras de ferro velho.
Quem recebeu o papel foi William Parker, quarto barão Monteagle, de família católica, homem que participara da rebelião do conde de Essex em 1601 e se reconciliara com a Coroa. Ele estava numa casa em Hoxton, nos arredores de Londres, onde raramente dormia.
Monteagle cavalgou naquela noite até Whitehall e entregou a carta a Robert Cecil, conde de Salisbury e secretário de Estado, o homem que comandava a rede de informantes da Inglaterra.
A denúncia chegou a Cecil em 26 de outubro. A busca no porão aconteceu na noite de 4 de novembro. Correram dez dias em que o governo inglês sabia de um golpe contra a sessão e não revistou o prédio.
Comece pela noite de 26 de outubro de 1605, em Hoxton, e pela ordem das horas entre a entrega do papel e a prisão no porão.
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I A Conspiração do Dia
Dez dias entre a entrega e a prisão no porão
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A tese diz que Robert Cecil, secretário de Estado de Jaime I, teve notícia da conspiração da pólvora antes da carta a Monteagle, que segurou a informação até o momento de maior efeito público, e que a autoria do aviso nunca foi estabelecida por documento.
Pelo relato oficial, um criado de Monteagle foi abordado na rua escura, perto da casa de Hoxton, por um desconhecido alto que lhe pôs a carta na mão e mandou entregá-la ao patrão em pessoa, sem dizer o nome.
Monteagle estava para jantar. Não conseguiu decifrar a letra à luz de vela e passou a folha a Thomas Ward, seu cavalheiro de companhia, pedindo que lesse em voz alta diante da mesa posta e dos criados. A leitura pública de um aviso secreto é o primeiro fato estranho da noite.
Sem terminar o jantar, o barão mandou selar cavalo e foi a Whitehall. Cecil ceava com conselheiros do rei, entre eles o conde de Worcester. Leu a folha, guardou e disse a Monteagle que o assunto ficaria com o Conselho.
Na manhã seguinte, Thomas Ward procurou Thomas Wintour e contou o que lera na mesa do patrão. Wintour levou o recado a Robert Catesby, chefe da conspiração, em White Webbs. Os dois desconfiaram de Francis Tresham, primo de Catesby e cunhado de Monteagle.
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"I would advise you, as you tender your life, to devise some excuse to shift off your attendance at this Parliament."
Carta sem assinatura entregue a lorde Monteagle, reproduzida em "A True and Perfect Relation of the Whole Proceedings against the Late Most Barbarous Traitors", Londres, 1606.
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Tresham negou sob juramento e insistiu para que todos deixassem a Inglaterra. Os conspiradores seguiram, na conta de que um aviso tão vago não bastaria para achar um porão no palácio de Westminster.
Jaime I caçava em Royston, em Hertfordshire, e voltou a Londres em 31 de outubro. Cecil lhe mostrou a carta em 1º de novembro, numa galeria de Whitehall. Pelo relato da Coroa, o rei interpretou "golpe terrível" como explosão por pólvora, lembrando o pai dele, Lorde Darnley, achado no jardim de uma casa explodida em Edimburgo em 1567.
Na tarde de 4 de novembro, Thomas Howard, conde de Suffolk e camareiro-mor, desceu ao porão com Monteagle. Achou um monte de lenha e um servidor alto, que se apresentou como John Johnson, empregado de Thomas Percy. Suffolk subiu e relatou a cena sem revirar a lenha.
Passada a meia-noite, Thomas Knyvett, magistrado de Westminster, voltou ao porão com escolta pequena. Achou o tal Johnson de botas e esporas, com lanterna, relógio de bolso e estopins de combustão lenta no corpo. Sob a lenha estavam os barris. O preso foi levado à Torre na madrugada de 5 de novembro e dias depois assinou como Guido Fawkes, veterano do exército espanhol em Flandres.
Falta saber de onde veio o papel, e por que quatro nomes seguem apontados como autor.
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II A Origem
Quatro candidatos a autor do papel de Hoxton
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A origem tem uma conspiração montada um ano e meio antes e um recrutamento apressado no fim. A trama nasceu em maio de 1604, na estalagem Duck and Drake, no Strand, quando cinco homens juraram segredo sobre um missal e combinaram alugar espaço sob a Câmara dos Lordes.
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O primeiro elo é o motivo. Os católicos ingleses esperavam alívio nas leis de recusa ao culto anglicano quando Jaime I subiu ao trono em 1603, e receberam multas mantidas e padres expulsos. Robert Catesby, fidalgo de Warwickshire, concluiu que petição nenhuma mudaria a política.
O segundo elo é o dinheiro. O grupo cresceu de cinco para treze homens, e os últimos entraram por bancar cavalos, armas e casas de apoio nas Midlands. Francis Tresham, herdeiro de uma fortuna recente, foi admitido em 14 de outubro de 1605, doze dias antes da carta aparecer em Hoxton.
O terceiro elo é o parentesco. Tresham era irmão de Elizabeth Tresham, esposa de Monteagle, e tinha dois motivos para avisar o cunhado: o laço de família e a chance de salvar a própria pele. Ele é o candidato mais citado, e negou até o fim.
O quarto elo é o próprio destinatário. Monteagle carregava a rebelião de 1601 na ficha e precisava de um serviço prestado à Coroa. Uma carta escrita por ele mesmo, lida diante de testemunhas e levada na hora ao secretário de Estado, produziria o efeito que produziu: pensão, terras e reputação limpa.
O quinto elo é o escritório de Cecil. O secretário pagava informantes entre os exilados católicos no continente. Um aviso vago, sem nome de conspirador e sem endereço do porão, permitia fingir descoberta tardia sem queimar informante nenhum.
Três historiadores dividiram o campo. Francis Edwards, em "Guy Fawkes: The Real Story of the Gunpowder Plot?" (1969), sustenta que o governo fabricou a carta. Antonia Fraser, em "The Gunpowder Plot: Terror and Faith in 1605" (1996), atribui o papel a Tresham e rejeita a fabricação. Mark Nicholls, em "Investigating Gunpowder Plot" (1991), conclui que o Estado descobriu uma trama real e aproveitou o que caiu na mão.
O desfecho de Tresham fechou a porta mais promissora. Preso em 12 de novembro de 1605, ele adoeceu na Torre de Londres com a retenção urinária descrita pelo médico da prisão e faleceu em 23 de dezembro, antes de qualquer julgamento. Nunca assinou confissão sobre a carta.
Falta pesar o que sustenta a tese contra Cecil e o que ela não consegue provar.
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