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Richard McLaren, professor de direito em Ontário e árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte, recebeu a encomenda da WADA em maio de 2016. Tinha 57 dias para dizer se a troca de amostras de Sóchi tinha acontecido.
A primeira parte do relatório saiu em 18 de julho de 2016. McLaren confirmou o relato de Rodchenkov e foi além: o esquema não era invenção de um químico sozinho, e sim operação dirigida pelo Ministério do Esporte, com apoio do FSB.
A segunda parte, publicada em dezembro de 2016, ampliou o alcance. Mais de mil atletas russos, de mais de 30 esportes de verão, de inverno e paralímpicos, tinham se beneficiado da manipulação de amostras entre 2011 e 2015.
As tampas que denunciaram o truque
A prova mais forte veio dos próprios frascos. A urina de controle é guardada no BEREG-KIT, um kit de garrafas da empresa suíça Berlinger com tampa projetada para quebrar se alguém tentar abrir depois de fechada.
A equipe de McLaren levou frascos de Sóchi a peritos forenses. Nas tampas, sob microscópio, apareceram riscos e marcas de ferramenta, sinal de que alguém tinha aberto o lacre sem quebrá-lo e fechado de novo.
Para tirar a dúvida, o laboratório contratado pela investigação tentou abrir garrafas novas do mesmo modelo. Conseguiu, com instrumentos finos, e deixou nas tampas marcas iguais às encontradas nos frascos de Sóchi.
Outros frascos traziam uma impossibilidade química. Algumas amostras tinham mais sal do que o corpo humano consegue eliminar na urina, resultado do ajuste feito às pressas para a urina limpa imitar a densidade da suja.
A frase do relatório
McLaren escolheu as palavras com cuidado de advogado. O texto final usou a expressão que, até ali, só os teóricos da conspiração usavam a respeito do esporte russo.
“Existiu uma conspiração institucional entre atletas de esportes de verão e de inverno, que participaram com autoridades russas do Ministério do Esporte e sua estrutura, junto com o FSB, para manipular os controles de doping.” Richard McLaren, Relatório McLaren, segunda parte, 2016.
O relatório também listou as competições afetadas. Além de Sóchi, entraram os Jogos de Londres em 2012, a Universíade de Kazan em 2013 e o Mundial de Atletismo de Moscou, no mesmo ano.
McLaren deixou claro um limite. Ele não tinha poder de punir ninguém: entregava a prova, e as federações e o Comitê Olímpico Internacional decidiriam o destino de cada atleta.
O próprio Vitaly Mutko pagou parte do preço. Em dezembro de 2017, o COI baniu o ex-ministro do Esporte de qualquer Olimpíada pelo resto da vida.
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