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Hieronim Zahorowski (Jerônimo, em português) nasceu em torno de 1582 na Volínia, região que hoje fica quase toda na Ucrânia, numa família nobre e rica de fé ortodoxa. Estudou no colégio jesuíta de Lublin, onde, ao que tudo indica, virou católico, e entrou na Companhia em 1599.
Fez o noviciado (os primeiros anos de formação de um jesuíta) em Cracóvia, estudou em Jarosław, Lublin e Poznań, deu aulas em Lwów e foi ordenado padre durante os estudos de teologia.
Em Poznań, entre 1609 e 1612, foi reprovado no exame que o tornaria membro pleno da ordem, um professo de votos finais. É a categoria a quem o prefácio da Monita reserva os segredos.
Em 1613, já professor no colégio de Sandomierz, mandou cartas e escritos contra a ordem. Foi afastado em dezembro daquele ano, recorreu e teve o recurso negado.
O diário da casa de Cracóvia
O livro apareceu em Cracóvia meses depois, sem assinatura. Em agosto de 1614, o diário da casa jesuíta da cidade já apontava Zahorowski como autor.
Em 1615, o bispo de Cracóvia mandou investigar, e a apuração chegou ao mesmo nome. No ano seguinte, um edito (decreto) do bispo condenou o livro e o autor.
Em 10 de maio de 1616, Roma pôs a Monita no Index, a lista de livros proibidos da Igreja, e tornou a proibição pública em 28 de dezembro. |
Os jesuítas responderam por escrito. O polonês Mateusz Bembus publicou uma refutação em 1615, o italiano Giovanni Argenti em 1616 e o alemão Jacob Gretser em 1618.
Zahorowski seguiu padre, fora da ordem. Em 1616, processou a Companhia para reaver os bens que tinha levado ao entrar, e ganhou. Virou pároco em Gwoździec, perto de Zakliczyn, e em 1626 em Kamionka.
Antes de 1632, fez as pazes com os jesuítas. Naquele ano, o provincial (o chefe regional da ordem) autorizou o enterro dele na igreja jesuíta de Lublin. Zahorowski viveu até 1634 e está sepultado lá, numa igreja da Companhia que o expulsou.
A pista de Veneza
A autoria voltou a ser discutida em 2025. A editora holandesa Brill publicou a edição crítica (a que compara as versões do texto) em latim e em polonês, organizada por Robert Aleksander Maryks, Bartosz Awianowicz e Radosław Grześkowiak, que contesta a atribuição a Zahorowski e sugere “uma campanha antijesuíta mais ampla” nascida em círculos de Veneza.
Veneza tinha motivo. Em 1606, o papa Paulo V lançou um interdito sobre a república, a suspensão de missas e sacramentos em todo o território, e os jesuítas, por obedecerem ao papa, foram expulsos da cidade. Só voltaram em 1657.
Os papéis não resolvem a questão. Nenhum documento mostra Zahorowski admitindo a autoria, e a retratação que o heraldista Kasper Niesiecki (estudioso de brasões de família) atribuiu a ele, num livro do século 18, segue sem confirmação em outra fonte. A mão de Veneza e a parceria com o príncipe polonês Jerzy Zbaraski, que historiadores poloneses dão como provável, seguem como hipótese, sem prova que as confirme ou as descarte.
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