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A polícia prendeu Sadamichi Hirasawa em Otaru em 21 de agosto de 1948. Ele tinha 56 anos, era pintor reconhecido, com quadros expostos nas mostras oficiais do país, e não tinha formação em química nem passado militar.
Contra ele havia o cartão sumido e uma soma de dinheiro que apareceu na conta dele depois do crime, cuja origem ele se recusou a explicar. Alguns sobreviventes disseram reconhecê-lo; outros disseram que não era ele.
Depois de cerca de um mês de interrogatórios diários, sem advogado presente, Hirasawa confessou. Tentou tirar a própria vida mais de uma vez durante a custódia. No julgamento, retirou a confissão e disse que ela foi arrancada sob pressão.
O Tribunal Distrital de Tóquio condenou Hirasawa à morte em 1950, e a Suprema Corte do Japão confirmou a pena em 1955. |
O pintor doente
A defesa apresentou um dado médico. Em 1925, Hirasawa tomou uma vacina contra raiva e desenvolveu a síndrome de Korsakoff (dano cerebral que apaga a memória recente e leva a pessoa a inventar lembranças para preencher as lacunas).
Para os advogados, um homem com essa condição repetia o que os interrogadores sugeriam. Os médicos da acusação disseram que ele estava apto a responder pelos próprios atos.
O dinheiro sem explicação ganhou uma versão depois da condenação: a de que vinha da venda de pinturas eróticas, que ele teria escondido por vergonha. A versão nunca foi provada nem descartada no processo.
Por que a tese sobrevive
O escritor Seicho Matsumoto, autor de romances policiais, publicou em 1959 o livro “Teikoku Ginko Jiken” (O caso do banco Teikoku) e voltou ao tema na série “Nihon no Kuroi Kiri” (A névoa negra do Japão), de 1960, sustentando que o crime exigia treino militar.
Os ministros da Justiça reforçaram a dúvida sem querer. Ao longo de 32 anos, nenhum assinou a execução, e o Japão manteve no corredor da morte um homem que o próprio Estado hesitava em enforcar.
Hirasawa pediu revisão do processo dezenas de vezes. O filho adotivo, Takehiko Hirasawa, seguiu com os pedidos depois de 1987, até a própria morte em 2013, e a Justiça japonesa recusou todos.
O que não se sabe com todas as letras: quem preparou o veneno, de onde ele saiu e se a pista da Unidade 731 foi largada por ordem de alguém. As provas que poderiam responder, como o líquido original e os cartões, se perderam ou nunca apareceram.
Confira sozinho, em 3 passos:
• a data da prisão de Hirasawa em Otaru, 21 de agosto de 1948;
• o ano em que a Suprema Corte do Japão confirmou a pena, 1955;
• a data da morte dele na prisão de Hachioji, 10 de maio de 1987.
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