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A tese resiste porque a base dela não é boato. O programa existiu, o nome é oficial, a ordem interna é datada, os agentes infiltrados foram identificados, o material foi apreendido com mandado e onze pessoas foram condenadas em tribunal federal.
O que exige cuidado é o salto seguinte, o de tratar o caso como prova de uma rede permanente de espionagem em funcionamento até hoje. A conclusão firme cabe numa linha: existe registro judicial de infiltração em repartições americanas nos anos 1970, e não existe registro equivalente para os anos seguintes.
O que está documentado: a ordem de 1973, os alvos federais, os dois agentes infiltrados, a data das buscas, o volume apreendido, a lista de condenados e a pena aplicada a cada um.
O que a defesa da tese sustenta: que uma organização capaz de montar essa estrutura uma vez preservou a competência de montá-la de novo, com outro nome e sem deixar arquivo em papel.
O que continua em disputa: o quanto o topo da organização sabia da operação de campo, e se o encerramento da divisão foi desmonte real ou troca de placa.
Os números que costumam circular no assunto, com a origem de cada um:
| · Ordem que criou o programa: abril de 1973 |
| · Buscas do FBI: 8 de julho de 1977, Los Angeles e Washington |
| · Documentos apreendidos: cerca de 48 mil páginas |
| · Condenados no processo federal: 11 pessoas, em outubro de 1979 |
| · Pena inicial de Mary Sue Hubbard: prisão e multa de 10 mil dólares |
O ponto mais frágil da versão popular é a extrapolação temporal. Um arquivo de 1977 descreve 1977. Toda vez que um episódio recente é explicado por Snow White, a explicação usa a reputação do caso antigo no lugar de evidência do caso novo.
Há também a confusão entre ordem e execução. A ordem escrita pedia remoção de documentos falsos, o que é ambíguo o bastante para caber tanto num pedido administrativo quanto num arrombamento. Quem executou escolheu a segunda leitura, e a diferença entre as duas é exatamente o que o tribunal julgou.
E existe o efeito do próprio arquivo. Como o material apreendido é público, qualquer pessoa pode ler trechos reais de operação com codinome e alvo nomeado. Documento verdadeiro na mão dá à especulação seguinte uma textura que ela não teria sozinha.
Então por que a teoria continua crescendo mesmo com o processo encerrado há décadas? Porque o caso já entregou a parte mais difícil de acreditar. Depois que um tribunal confirma que existiram agentes infiltrados numa repartição federal, tudo que vier depois soa plausível por comparação.
Snow White é o caso raro em que a versão oficial é mais pesada do que o boato que a acompanha. O que ele não entrega, e é o que a teoria vive de preencher, é o que aconteceu com a competência depois que a estrutura foi desativada.
"Quando o arquivo oficial confirma o pior, o que sobra para a suspeita fazer?"
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