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A tese resiste porque quase tudo nela é verificável. O filme existe, o quadro 313 existe, a compra existe e o movimento para trás está lá, visível em qualquer cópia.
O que não se sustenta é a conclusão. Ela cai em três lugares diferentes: o contrato, a física e o laudo do rolo.
O contrato: o chefe do escritório da revista contou, décadas depois, que Zapruder pediu que o quadro do impacto final não fosse explorado em banca de jornal. A cláusula que a tese lê como contenção nasceu de quem filmou.
A revista também não escondeu o que comprou. Imprimiu 31 quadros em novembro de 1963, publicou uma sequência em cores na edição de memória e em 1966 estampou um quadro do filme na capa, pedindo nova investigação.
A física: o movimento para trás foi testado em laboratório. Em 1976, um físico ganhador do Nobel disparou contra melões enfaixados: o alvo atingido por trás recua na direção do atirador, empurrado pelo jato que sai pela frente. Fonte: Luis Alvarez, A physicist examines the Kennedy assassination film, 1976.
O laudo: o rolo original foi periciado por um engenheiro aposentado da Kodak a pedido da junta federal que revisou os arquivos. O parecer de 1998 concluiu que o material é original de câmera, sem emenda nem remontagem.
Fica a conta do dinheiro, a parte menos citada da história. A revista pagou 150 mil dólares em 1963, valor equivalente a mais de um milhão hoje, e devolveu o filme por um dólar doze anos depois.
Em 1998, o governo americano declarou o rolo original registro público do caso e ficou com ele. Um painel de arbitragem fixou a indenização no ano seguinte: 16 milhões de dólares aos herdeiros, que doaram o direito autoral a um museu.
No caminho, a dúvida sustentou uma indústria. Livro de mais vendidos, circuito de palestras pagas, documentário, cópia pirata vendida por catálogo e um filme de Hollywood que faturou mais de 200 milhões de dólares.
A perícia oficial mudou de posição no caminho, e a tese usa a virada como prova. Em 1979, uma comissão da Câmara americana concluiu que havia conspiração provável, com base num disco da polícia de Dallas.
Três anos depois, um painel da Academia Nacional de Ciências examinou o mesmo disco: os estalos analisados aconteceram cerca de um minuto depois dos tiros, com um policial falando por cima.
Então por que a versão maior segue de pé? Porque ela junta três coisas raras no mesmo caso: um documento comprado por dinheiro grande, um quadro que faltou na página impressa e um movimento que o olho lê ao contrário da versão oficial.
O filme prova que 26 segundos da Elm Street foram registrados por um fabricante de roupas com uma câmera de oito milímetros. Ele não prova quem estava atrás da cerca do gramado elevado.
"Quantas vezes você tratou a ausência de uma imagem como prova do que ela mostrava?"
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