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Purushottam Nagesh Oak nasceu em 1917, em Indore, no centro da Índia. Formou-se em direito, serviu no Exército Nacional Indiano, a tropa de Subhas Chandra Bose que lutou contra os britânicos ao lado do Japão, e depois trabalhou como jornalista e funcionário do governo.
Em 1964, Oak fundou em Nova Délhi o Institute for Rewriting Indian History (Instituto para Reescrever a História Indiana). O nome anunciava o programa: a história oficial do país, para ele, tinha sido escrita por invasores muçulmanos e colonizadores britânicos.
O Taj Mahal foi só um dos alvos. Oak escreveu que a Caaba, em Meca, a Abadia de Westminster, em Londres, e o Vaticano tinham sido templos hindus, e que o cristianismo nasceu do culto a Krishna.
Em 2000, o Supremo Tribunal da Índia rejeitou a petição de P. N. Oak para declarar que um rei hindu construiu o Taj Mahal. |
Os juízes escreveram que o autor tinha “a bee in his bonnet” (uma abelha no chapéu, expressão inglesa para ideia fixa). Oak viveu até 2007, em Pune, sem obter nenhuma decisão judicial a favor da tese.
A troca do terreno
A história documentada do mausoléu começa em 1631. Mumtaz Mahal, mulher de Shah Jahan, não sobreviveu ao parto do 14º filho do casal, em Burhanpur, onde acompanhava o marido numa campanha militar.
O imperador escolheu para o túmulo um terreno às margens do rio Yamuna, em Agra, que pertencia ao rajá hindu Jai Singh I, de Amber. Em troca, deu a ele quatro havelis (casarões urbanos) da cidade.
A troca ficou registrada num farman (decreto imperial) de 1633, guardado no acervo do Museu do Palácio da Cidade, em Jaipur. É o documento que a tese de Oak lê ao contrário: para ele, o terreno já trazia um palácio pronto.
O farman fala de terreno e de casarões, sem citar templo. A crônica oficial do reinado, o Padshahnama (Livro do Imperador), escrita por Abdul Hamid Lahori, descreve a escolha do lugar e o começo da obra logo depois da perda da imperatriz.
A obra nos registros
Os registros da corte citam o arquiteto-chefe, Ustad Ahmad Lahori, e milhares de operários vindos de várias partes do império. O túmulo ficou pronto por volta de 1643, e o conjunto inteiro, com jardins, mesquita e casa de hóspedes, em 1653.
O corpo de Mumtaz Mahal passou por uma sepultura provisória em Burhanpur antes de chegar a Agra, em 1632. A cripta com os dois túmulos reais, o dela e o de Shah Jahan, fica sob a câmara principal, e os túmulos de cima são cenotáfios (túmulos vazios, só de homenagem).
As salas lacradas sob o terraço fazem parte dessa mesma estrutura de sustentação. O ASI as fecha para proteger a base do prédio e controlar a circulação de visitantes, e nunca registrou nelas material anterior ao século 17.
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