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A suspeita sobre Bose ganhou rosto em 1985, quando morreu em Faizabad, no norte da Índia, um eremita conhecido como Gumnami Baba (o "santo sem nome", em híndi), que seguidores juravam ser Netaji escondido.
O homem vivia recluso, falava com visitantes por trás de uma cortina e guardava em casa livros, cartas e fotos da família Bose. Depois do funeral, seus seguidores espalharam que o líder tinha passado décadas disfarçado.
A Comissão Mukherjee examinou o caso e mandou fazer exames de DNA em dentes atribuídos ao eremita. O laboratório forense do governo comparou o material com amostras de parentes de Bose e não encontrou correspondência.
Mesmo assim, o relatório não fechou a questão por completo. Mukherjee registrou que, sem prova sólida, não podia afirmar que Gumnami Baba fosse Bose, e deixou aberta a lacuna sobre o paradeiro real.
O que a Índia recusou
O governo de Manmohan Singh rejeitou o relatório em 2006 sem detalhar todos os motivos. A nota do Ministério do Interior disse apenas que discordava das conclusões de que Bose não morreu no acidente e de que as cinzas de Renkoji não eram dele.
Para os defensores da comissão, a recusa protegia a versão que a Índia vinha sustentando desde Nehru. Para o governo, a comissão tinha dado peso excessivo a uma ausência de papel em Taiwan, ignorando testemunhas diretas.
O combustível da suspeita é este: um líder sem corpo visto pelos indianos, cinzas guardadas em outro país, arquivos fechados por décadas e um governo que recusou o próprio relatório.
Em 2016, o governo indiano começou a liberar arquivos secretos sobre Bose. Entre os papéis tornados públicos estava um relatório do governo japonês, de 1956, que concluía que ele morreu em Taihoku depois do acidente.
A única filha de Bose, a economista alemã Anita Bose Pfaff, pede há anos um exame de DNA nas cinzas do templo Renkoji. Até hoje, o teste não foi feito, e sem ele nenhuma das versões pode ser confirmada pela ciência.
O que a comissão estabeleceu: Taiwan não tem registro de queda de avião em Taihoku no período, as testemunhas do acidente se contradizem e o eremita de Faizabad não teve o DNA ligado à família Bose.
O que continua sem resposta: onde e quando Bose morreu. Sem o exame das cinzas de Tóquio, a pergunta segue aberta, e nenhum governo assumiu o teste.
"Se o avião caiu, por que Taipei não guardou um papel sobre ele?"
Confira sozinho, em três buscas: a data de entrega do relatório Mukherjee, 8 de novembro de 2005; a nota do Ministério do Interior lida no Parlamento em 17 de maio de 2006; o templo Renkoji, em Tóquio, onde as cinzas atribuídas a Bose estão guardadas.
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