A resposta de ontem Quem era o piloto belga apontado na noite de Ndola? Jan van Risseghem, piloto belga contratado pela pequena força aérea de Katanga em 1961. A historiadora Susan Williams e o pesquisador sueco Göran Björkdahl o apontaram como o provável piloto do jato, e o documentário Cold Case Hammarskjöld, de 2019, repetiu a acusação. Ele negou até o fim e se foi em 2007 sem ser ouvido por tribunal algum. |
Martinho de Opava era um frade dominicano nascido na Boêmia, capelão da corte papal e penitenciário (o padre encarregado de absolver pecados reservados ao papa) em Roma nos anos 1270.
Ele escreveu uma crônica de formato prático. As páginas da esquerda listavam os papas e as da direita os imperadores, cada linha correspondendo a um ano. Professores e pregadores usavam o livro como tabela de consulta.
Na versão de 1277, Martinho encaixou a papisa logo depois de Leão IV, que governou a Igreja de 847 a 855. Deu a ela um reinado de 2 anos, 7 meses e 4 dias.
“Hic, ut asseritur, femina fuit” (Este, como se afirma, foi mulher). Martinho de Opava, Crônica dos Papas e Imperadores, 1277.
O “como se afirma” pesa. Martinho não diz ter visto documento. Ele registra o que se contava.
As cópias mais antigas da crônica, feitas antes de 1277, não trazem a papisa. Ela aparece na terceira redação, e alguns estudiosos suspeitam que a linha entrou pela mão de um copista, na margem, e só depois subiu para o texto.
A história segundo a crônica
O enredo que ele fixou tem poucos passos:
1. Uma menina nascida em Mogúncia, na Alemanha, foi levada a Atenas por um amante, vestida de homem.
2. Lá estudou tanto que superou os mestres e, já em Roma, deu aulas do trívio (gramática, retórica e lógica) com plateia de doutores.
3. Pela fama de sábio, foi eleita papa sem que ninguém desconfiasse.
4. Engravidou de um companheiro e deu à luz durante uma procissão, entre a basílica de São Pedro e a de São João de Latrão.
A rua evitada
Segundo a crônica, Joana perdeu a vida ali mesmo, no parto, numa viela entre o Coliseu e a igreja de São Clemente, e foi sepultada no local.
Martinho acrescentou um detalhe de rotina para dar peso à história: os papas, nas procissões, desviavam daquela rua. Ele escreveu que o desvio era por desgosto do acontecido.
O desvio existia nos registros. Documentos de cerimonial dos séculos XIII e XIV mostram que o cortejo papal evitava a viela. A crônica pegou um hábito real de trânsito e deu a ele uma explicação.
Martinho foi nomeado arcebispo de Gniezno, na Polônia, em 1278, e não chegou a assumir. Expirou em Bolonha, a caminho do novo posto, no mesmo ano. A crônica seguiu sem ele, copiada e traduzida para o francês, o alemão, o italiano e o tcheco.
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