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O nome Mockingbird (tordo-imitador, ave que copia o canto das outras) chegou ao grande público em 1979, com o livro “Katharine the Great” (Katharine, a Grande), de Deborah Davis.
O livro contava a vida de Katharine Graham, dona do Washington Post. Davis afirmava que Philip Graham, marido dela e antigo dono do jornal, ajudou Frank Wisner a montar uma rede de jornalistas apelidada de Operação Mockingbird.
A editora Harcourt Brace Jovanovich recolheu o livro ainda em 1979, depois de uma queixa de Ben Bradlee, editor-chefe do Post, contra trechos que o citavam. A obra voltou às livrarias em 1987, por outra editora.
Nenhum documento liberado pela CIA descreve um programa chamado Mockingbird cobrindo a imprensa inteira. |
Davis apoiava a tese em fontes sem nome e num memorando citado de segunda mão. O papel original nunca apareceu, e o nome passou de livro em livro como se fosse um programa com orçamento e chefe.
Com a internet, o termo ganhou fôlego novo. Hoje aparece em vídeos e fóruns como explicação pronta para qualquer notícia de que o leitor desconfia, sem data nem fonte.
O que está documentado
O lado provado é menor e mais concreto. Há o artigo de Bernstein, o relatório do Comitê Church, a regra de Bush de 1976 e o financiamento secreto da Rádio Europa Livre até 1971.
Esses papéis mostram relações com pessoas e com redações, quase sempre no exterior e quase sempre na Guerra Fria. Mostram colunistas que aceitaram pedidos, executivos que abriram portas e agentes com credencial falsa.
O que virou lenda
A versão popular junta tudo num plano único, com a CIA ditando manchetes de todos os jornais americanos, e estica o plano até hoje.
Nenhuma das fontes de 1975 a 1977 sustenta essa versão. Os documentos falam de dezenas a centenas de casos ao longo de 25 anos, numa imprensa com milhares de repórteres, e de colaboração caso a caso, sem comando central.
Bernstein escreveu o contrário da lenda: segundo ele, a maior parte dos jornalistas citados ajudava por convicção patriótica e de forma ocasional, sem receber ordens sobre o que publicar.
O que segue sem resposta tem motivo conhecido: os nomes dos 400 nunca saíram porque os arquivos de fontes da CIA continuam sob sigilo, e só uma liberação oficial diria quem fez o quê.
Confira sozinho, antes de repetir a história dos 400:
• a data da edição da Rolling Stone com o artigo, 20 de outubro de 1977;
• o dia da regra anunciada por George H. W. Bush, 11 de fevereiro de 1976;
• o ano do livro de Deborah Davis com o nome Mockingbird, 1979.
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