In partnership with

Conspiração do Dia   Conspiração do Dia
ED 084
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Os 80 barris do poço sueco de Siljan

Em 1951, um geólogo soviético disse que o petróleo nasce da rocha. Em 1986, um astrofísico furou o granito sueco para provar.

Torre de perfuração numa floresta da Suécia

Anel de Siljan, Suécia, anos 1980

▼
 

“It's No Crude Joke: This Oil Field Grows Even as It's Tapped” (Não é piada: este campo de petróleo cresce enquanto é explorado), publicou o The Wall Street Journal em 16 de abril de 1999. A reportagem tratava do campo Eugene Island 330, no Golfo do México, diante da costa da Louisiana.

Segundo o jornal, a produção do campo caiu como cai em qualquer reservatório e, a partir de certo ponto, deixou de cair no ritmo previsto pelos engenheiros. As reservas estimadas subiam a cada revisão, como se o óleo voltasse ao lugar de onde tinha saído.

A reportagem reacendeu uma ideia antiga. Se um campo se enche de novo, o petróleo talvez não seja resto de plâncton e algas enterrados há milhões de anos, e sim um produto que sobe das profundezas da Terra sem parar.

A ideia tem nome: petróleo abiótico (formado sem a participação de seres vivos). Na versão popular, ela chega com um acusado. As petroleiras e os governos saberiam que o óleo se renova e guardariam o segredo para manter o preço alto e o medo da escassez aceso.

O ano de 1999 foi também o da chegada às livrarias de “The Deep Hot Biosphere” (A biosfera quente e profunda), o livro em que um astrofísico da Universidade Cornell defendeu a tese com nome, sobrenome e prova de campo.

A prova de campo estava na Suécia, no meio de uma cratera aberta por um meteorito, onde um consórcio sueco passou anos furando granito à procura de gás e óleo que, pela geologia clássica, não poderiam estar ali.

O poço devolveu uma pasta preta e oleosa. Para os defensores da tese, era o petróleo das profundezas chegando à superfície. Para os químicos que analisaram as amostras, era a sobra do lubrificante usado na própria perfuração.

A disputa sobre aquela borra, e sobre o homem que bancou o furo, começa numa floresta da província sueca de Dalarna.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Introducing Fair Game from Vanity Fair

Join Mark Guiducci for a series of wide-ranging conversations with cultural leaders from the worlds of Hollywood, Politics, Style, Silicon Valley, and beyond. 

On every episode, Vanity Fair pulls back the curtain on how some of the most interesting and powerful minds in our society work – and where they see us going. On Fair Game from Vanity Fair, no subject is off limits.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Conspiração do Dia

O granito furado em Dalarna

O astrofísico Thomas Gold, nascido em Viena e professor da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, convenceu investidores suecos, em meados dos anos 1980, a furar o anel de Siljan, na província de Dalarna, no centro da Suécia. O anel é a marca de uma cratera aberta por um meteorito no período Devoniano, a maior cratera de impacto conhecida na Europa.

Gold escolheu o lugar por um motivo preciso. O subsolo de Siljan é granito, rocha cristalina que nasce do magma resfriado e não guarda restos de seres vivos. Pela geologia clássica, ali não haveria petróleo nenhum.

Se o furo achasse hidrocarbonetos (compostos de carbono e hidrogênio, a família do petróleo e do gás) dentro do granito, a origem biológica ficaria em xeque. Na conta de Gold, o choque do meteorito tinha rachado a crosta e aberto caminho para o gás subir do manto, a camada quente abaixo da crosta.

A estatal sueca de energia Vattenfall entrou no projeto, e a empresa Dala Djupgas Produktions (Produção de Gás Profundo de Dala) foi criada para tocar a obra. O poço Gravberg-1 começou a ser perfurado em 1986, no meio do anel.

O Gravberg-1 desceu perto de 7 quilômetros dentro do granito, atrás de um petróleo que a geologia clássica dizia não existir ali.

Os 80 barris

O furo não encontrou o reservatório de gás prometido aos investidores. No fim da obra, as equipes bombearam o poço e trouxeram à superfície uma pasta escura, com óleo misturado a grãos finos de magnetita (mineral de óxido de ferro, atraído por ímã).

Gold, no livro “The Deep Hot Biosphere”, de 1999, contou cerca de 80 barris de óleo retirados do Gravberg-1 até 1990. Para ele, a magnetita era sinal de micróbios das profundezas que se alimentavam do petróleo enquanto ele subia pelas fendas da rocha.

A lama da broca

Os geoquímicos que examinaram as amostras compararam o óleo com o fluido de perfuração, a lama bombeada no furo para resfriar a broca e carregar os fragmentos de rocha para cima. A lama do Gravberg-1 levava aditivos orgânicos, e a composição do óleo batia com eles.

A conclusão dos críticos foi a de que o poço devolveu, depois de meses, parte do que as próprias equipes tinham injetado nele. Gold rejeitou a leitura e sustentou até a morte, em 2004, que havia óleo profundo misturado à lama.

A Vattenfall deixou o projeto, e o consórcio ainda abriu um segundo furo no anel, o Stenberg-1, no começo dos anos 1990. Também não achou gás em quantidade comercial, e a empresa ficou sem dinheiro para seguir.

Nenhum documento mostra petroleira ou governo travando a obra. O que parou o projeto de Siljan foi a falta de gás no fundo do poço e de caixa na superfície.

 
 

II  A Origem

A regra do geólogo Kudryavtsev

A ideia que Gold levou à Suécia nasceu bem antes dele. O químico russo Dmitri Mendeleev, o mesmo da tabela periódica, sugeriu em 1877 que a água infiltrada na crosta reagia com carbetos de ferro (compostos de ferro e carbono) e formava petróleo em grande profundidade.

A hipótese ficou de lado por décadas, enquanto os geólogos do Ocidente acumulavam provas da origem biológica. Ela voltou em 1951, pelas mãos do geólogo soviético Nikolai Kudryavtsev, do instituto de pesquisa de petróleo de Leningrado.

Kudryavtsev publicou naquele ano o artigo que deu forma moderna à tese. Ele reuniu campos em que o óleo aparecia dentro do embasamento cristalino (a rocha dura sob as camadas de sedimento), em pontos onde não havia rocha de origem orgânica capaz de gerar petróleo.

A regra de Kudryavtsev diz que, onde há petróleo numa camada de uma região, haverá hidrocarbonetos em todas as camadas abaixo dela, até o embasamento.

A escola soviética

A União Soviética saiu da Segunda Guerra precisando de petróleo para reconstruir a indústria. A tese de Kudryavtsev ganhou seguidores em Moscou e em Kiev, onde o geólogo Vladimir Porfiriev liderou, entre os anos 1950 e 1970, a chamada escola ucraniana do petróleo profundo.

Os soviéticos publicavam quase tudo em russo, em revistas que pouca gente lia no Ocidente. Durante a Guerra Fria, a tese viveu num circuito fechado, discutida dentro da URSS e ignorada pelas petroleiras americanas e europeias.

O astrofísico de Cornell

Gold chegou ao tema por outro caminho. Astrofísico, ele via metano e outros hidrocarbonetos espalhados por planetas, luas e meteoritos onde nunca houve vida, e concluiu que a Terra tinha nascido com o mesmo estoque guardado no interior.

Em 1979, publicou no Journal of Petroleum Geology o artigo “Terrestrial sources of carbon and earthquake outgassing” (Fontes terrestres de carbono e liberação de gás em terremotos). Em junho de 1980, assinou com o astrônomo Steven Soter na Scientific American o texto “The Deep-Earth-Gas Hypothesis” (A hipótese do gás da Terra profunda).

Em 1992, nos Proceedings of the National Academy of Sciences, Gold acrescentou a peça que faltava. As moléculas biológicas achadas no petróleo viriam de uma biosfera quente e profunda, feita de micróbios que vivem dentro da rocha e comem o óleo que sobe.

O livro de 1999 juntou as três etapas. Para Gold, o petróleo era abiótico na origem e biológico só na contaminação, e as reservas do planeta seriam muito maiores do volume que as petroleiras declaravam.

 

Quem banca a edição de hoje

Create work your clients can rely on

With Lovable, you'll have a working version of your client's site ready for the first meeting. Plus:

  • Launch on your client's own domain

  • Build sites that get found on Google

  • Catch bugs and errors with project monitoring

  • Run every client site on one plan

Discount of $5 applies to first month of any paid plan. You need to sign up via this webpage in order to claim the discount. The discount applies to new and returning users without an active paid plan. Terms apply.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Combustível

A borra no fundo do poço

A tese do petróleo abiótico sobrevive porque se apoia em fatos reais, lidos de um jeito que a maioria dos geólogos rejeita. O primeiro deles é o campo da reportagem de 1999, o Eugene Island 330.

O geólogo Lawrence Cathles, da mesma Universidade Cornell de Gold, estudou o campo nos anos 1990 e 2000. Ele concluiu que o reservatório se recarregava por falhas na rocha, alimentado por óleo comum vindo de camadas mais fundas de sedimento, de origem biológica.

O segundo fato é químico. Em 1934, o químico alemão Alfred Treibs encontrou no petróleo as porfirinas (moléculas derivadas da clorofila das plantas e do sangue dos animais). Elas são a principal assinatura de que o óleo veio de seres vivos.

Hidrocarbonetos sem origem biológica existem, mas aparecem em quantidade pequena, longe de encher um campo de petróleo.

O metano da Cidade Perdida

O terceiro fato é o mais forte a favor da tese. Em 2008, a equipe do geoquímico Giora Proskurowski publicou na revista Science a medição de hidrocarbonetos formados sem vida no campo hidrotermal de Lost City (Cidade Perdida), no fundo do Atlântico.

Ali, a água do mar reage com a rocha do manto e solta metano e outros compostos leves. O fenômeno é real e confirma a química de Mendeleev em pequena escala, mas nenhum poço comercial do mundo foi provado abiótico.

O pico que atrasou

O último combustível é econômico. Em 1956, o geofísico M. King Hubbert, da Shell, previu que a produção dos Estados Unidos chegaria ao máximo por volta de 1970 e depois cairia. A produção de fato atingiu o pico em 1970.

Décadas depois, a extração do óleo de xisto, preso em rocha pouco porosa, levou os Estados Unidos a superar aquela marca em 2018. Para os defensores do petróleo abiótico, a recuperação provou que as reservas se renovam. Para os geólogos, provou que a técnica mudou e alcançou óleo que já estava lá.

O que segue sem resposta

Sobre Siljan, o que não se sabe com todas as letras é se parte daquela pasta veio de fato das profundezas. A lama contaminou as amostras, nenhum poço limpo foi aberto depois no anel, e a dúvida ficou sem teste que a encerre.

Confira sozinho, em 3 passos:

• o ano do artigo de Nikolai Kudryavtsev, 1951;

• o ano do livro de Thomas Gold, 1999;

• o nome do poço sueco do anel de Siljan, Gravberg-1.

 
 
Quiz da edição

Segundo os geoquímicos que analisaram a pasta escura retirada do poço Gravberg-1, de onde veio aquele óleo?

ADe uma bolsa de petróleo biológico escondida sob o granito de Siljan
BDe um vazamento de combustível das máquinas usadas na superfície durante a perfuração
CDa lama de perfuração injetada no próprio poço, cujos aditivos orgânicos batiam com a composição do óleo
DDo manto terrestre, liberado pela rachadura aberta pelo impacto do meteorito

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🕵️🕵️🕵️🕵️🕵️  ótima 🕵️🕵️🕵️🕵️  boa 🕵️🕵️🕵️  ok 🕵️🕵️  ruim 🕵️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 30/10, 23h

A Processo dos Távora →
B Conspiração da Pólvora →
C Plano Cohen →
D HAARP em Gakona →
 
Recomendação de Newsletter
Mistérios Milenares

Mistérios Milenares

Toda noite, 20:20 na sua caixa: o enigma, as evidências e a pergunta que ninguém respondeu. Com o rigor que você sempre quis e nunca achou em português.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
Clímax da temporada

Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆◆3031

Dia 6 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

{{maratona_dias | 0}}
dias feitos
{{maratona_faltam | 6}}
pra fechar

Presença por clique, voto ou quiz. Sem folga na maratona: o seguro do mês cobre 1 dia.

Acompanhar minha ofensiva →

 
 
 

Agora você sabe o fim.

Conspiração do Dia

CONSPIRAÇÃO DO DIA

Uma teoria por dia, explicada até o fim

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter