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O astrofísico Thomas Gold, nascido em Viena e professor da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, convenceu investidores suecos, em meados dos anos 1980, a furar o anel de Siljan, na província de Dalarna, no centro da Suécia. O anel é a marca de uma cratera aberta por um meteorito no período Devoniano, a maior cratera de impacto conhecida na Europa.
Gold escolheu o lugar por um motivo preciso. O subsolo de Siljan é granito, rocha cristalina que nasce do magma resfriado e não guarda restos de seres vivos. Pela geologia clássica, ali não haveria petróleo nenhum.
Se o furo achasse hidrocarbonetos (compostos de carbono e hidrogênio, a família do petróleo e do gás) dentro do granito, a origem biológica ficaria em xeque. Na conta de Gold, o choque do meteorito tinha rachado a crosta e aberto caminho para o gás subir do manto, a camada quente abaixo da crosta.
A estatal sueca de energia Vattenfall entrou no projeto, e a empresa Dala Djupgas Produktions (Produção de Gás Profundo de Dala) foi criada para tocar a obra. O poço Gravberg-1 começou a ser perfurado em 1986, no meio do anel.
O Gravberg-1 desceu perto de 7 quilômetros dentro do granito, atrás de um petróleo que a geologia clássica dizia não existir ali. |
Os 80 barris
O furo não encontrou o reservatório de gás prometido aos investidores. No fim da obra, as equipes bombearam o poço e trouxeram à superfície uma pasta escura, com óleo misturado a grãos finos de magnetita (mineral de óxido de ferro, atraído por ímã).
Gold, no livro “The Deep Hot Biosphere”, de 1999, contou cerca de 80 barris de óleo retirados do Gravberg-1 até 1990. Para ele, a magnetita era sinal de micróbios das profundezas que se alimentavam do petróleo enquanto ele subia pelas fendas da rocha.
A lama da broca
Os geoquímicos que examinaram as amostras compararam o óleo com o fluido de perfuração, a lama bombeada no furo para resfriar a broca e carregar os fragmentos de rocha para cima. A lama do Gravberg-1 levava aditivos orgânicos, e a composição do óleo batia com eles.
A conclusão dos críticos foi a de que o poço devolveu, depois de meses, parte do que as próprias equipes tinham injetado nele. Gold rejeitou a leitura e sustentou até a morte, em 2004, que havia óleo profundo misturado à lama.
A Vattenfall deixou o projeto, e o consórcio ainda abriu um segundo furo no anel, o Stenberg-1, no começo dos anos 1990. Também não achou gás em quantidade comercial, e a empresa ficou sem dinheiro para seguir.
Nenhum documento mostra petroleira ou governo travando a obra. O que parou o projeto de Siljan foi a falta de gás no fundo do poço e de caixa na superfície.
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