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A suspeita durou uma década porque nasceu de um fato. O U 137 encalhado em Karlskrona era real, com tripulação, comandante e radiação medida no casco. Depois de 1981, ninguém na Suécia podia dizer que submarino soviético em águas suecas era fantasia.
O contexto também pesava. A Suécia era neutra na Guerra Fria, fora da Otan, e a costa leste dela ficava a poucas horas de navegação das bases soviéticas no Báltico. Cada alarme parecia confirmar o medo de uma invasão preparada em silêncio.
A tecnologia ajudava a alimentar a dúvida. Os hidrofones dos anos 1980 captavam sons sem mostrar a fonte, e os operadores, treinados para achar submarinos, tendiam a ouvir submarinos.
O encalhe de 1981 deu à Marinha sueca um motivo real para tratar cada estalo como inimigo. |
A tese do intruso ocidental
Nem todos culparam Moscou. O pesquisador norueguês Ola Tunander, do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, publicou em 2004 o livro “The Secret War Against Sweden” (A guerra secreta contra a Suécia).
Tunander defendeu que parte das intrusões em Hårsfjärden foi feita por submarinos ocidentais, americanos e britânicos. Segundo ele, o objetivo era testar as defesas suecas e empurrar o país neutro para perto da Otan. Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido nunca confirmaram a tese.
Em 2001, uma nova comissão do governo sueco, chefiada pelo diplomata Rolf Ekéus, revisou as caçadas. O relatório manteve a suspeita de operações estrangeiras em alguns casos, mas não conseguiu atribuir a bandeira de cada intruso.
O alarme de 2014
Em outubro de 2014, a Marinha sueca voltou a fechar o arquipélago de Estocolmo atrás de um suposto submarino russo. A busca durou cerca de uma semana e terminou sem captura, como as caçadas da década de 1980.
O comando militar divulgou uma foto borrada de um objeto na superfície, tirada por um morador, e disse ter indícios confiáveis de atividade submarina estrangeira. Moscou negou. Nenhum casco, destroço ou tripulante apareceu, e o governo sueco encerrou a operação sem nomear o país responsável.
O que segue sem resposta
Não se sabe quantas das centenas de alarmes envolveram submarinos de fato. Parte dos arquivos militares segue classificada, os sinais antigos foram gravados com equipamento limitado, e nenhum governo estrangeiro admitiu operar no arquipélago depois de 1981. O arenque explica uma parte dos sons, e o restante continua sem dono.
Confira sozinho, em 3 passos:
• a data do encalhe do U 137 em Karlskrona, 27 de outubro de 1981;
• o ano do estudo de Wahlberg e Westerberg sobre as bolhas do arenque, 2003;
• o prêmio que os pesquisadores dividiram em 2004, o Ig Nobel de Biologia.
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