In partnership with

Conspiração do Dia   Conspiração do Dia
ED 086
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Os arenques na escuta da Marinha sueca

Em 1981, um submarino soviético encalhou na Suécia. Na década seguinte, parte dos sons caçados vinha de cardumes.

Submarino soviético encalhado entre rochas na costa sueca

U 137 encalhado em Karlskrona, Suécia, 1981

▼
 

O jornal sueco Svenska Dagbladet estampou na capa de 29 de outubro de 1981 a manchete “Sovjetisk ubåt på grund i Karlskrona” (Submarino soviético encalhado em Karlskrona). Não era boato. Na noite de 27 de outubro, o submarino U 137, da Marinha soviética, tinha batido nas pedras da baía de Gåsefjärden, a poucos quilômetros da maior base naval da Suécia.

Quem achou o casco foi um pescador local, na manhã seguinte. O submarino estava inclinado, com a proa fora da água, dentro de uma zona militar fechada até para barcos suecos sem licença.

O U 137 era da classe Whiskey (nome dado pela Otan a um modelo soviético movido a diesel, dos anos 1950). A imprensa britânica batizou o caso de “Whiskey on the rocks” (uísque com gelo, mas também uísque nas pedras), e o trocadilho correu o mundo.

O comandante, Anatoly Gushchin, disse que tinha errado a navegação por causa de uma bússola com defeito. Os suecos não acreditaram. Para chegar àquele ponto, o submarino precisou passar por canais estreitos entre ilhas, uma rota que exige carta náutica e manobra deliberada.

O governo do primeiro-ministro Thorbjörn Fälldin manteve o submarino preso por dez dias. Nesse intervalo, técnicos suecos mediram radiação perto do casco e encontraram sinais compatíveis com urânio, o que sugeria armas nucleares a bordo. Moscou nunca confirmou.

Em 6 de novembro de 1981, rebocadores suecos devolveram o U 137 ao mar aberto, onde navios soviéticos o esperavam. A crise diplomática acabou ali. A desconfiança, não.

A partir daquele outono, a Marinha sueca passou a ouvir o mar com outros ouvidos. Cada som estranho captado pelos hidrofones (microfones submersos) virava suspeita de intruso, e cada suspeita podia mobilizar navios, helicópteros e cargas de profundidade.

As caçadas duraram mais de dez anos. Nenhuma terminou com um submarino capturado, e o primeiro grande alarme, um ano depois do encalhe, mostra como o medo e o som se misturaram.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Two days of free email tactics, starting Nov 12

GURU kicks off Nov 12. Join the 29,000+ marketers who showed up last year, 100% free and virtual.

GURU Conference, powered by Constant Contact, is back November 12–13. It's 100% virtual and 100% free, and it's packed with tactics you can use right away on newsletters, deliverability, design trends, AI, and what NOT to do with email.

What to expect:

  • Speakers including Molly Ringwald, Dan Levy, Amy Porterfield, Frank Vella + more

  • Sessions from world-class marketers at top brands

  • Networking every day

  • DJs, world-record breaking, and an alarming amount of rom-com fun!

Last year, 29,000+ marketers joined us. This year is even bigger, and spots are limited.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  A Conspiração do Dia

A caçada de Hårsfjärden

Em 1º de outubro de 1982, a Marinha sueca recebeu relatos de periscópio na baía de Hårsfjärden, no arquipélago de Estocolmo. A baía fica ao lado de Muskö, a base onde a frota guardava navios dentro de túneis escavados na rocha.

O comando fechou a área e começou a maior operação antissubmarino da história do país. Durante cerca de um mês, helicópteros, navios e mergulhadores vasculharam a baía. A Marinha lançou cargas de profundidade e detonou minas controladas a partir da costa.

A operação aconteceu no meio de uma troca de governo. Olof Palme, do Partido Social-Democrata, voltou ao cargo de primeiro-ministro em 8 de outubro de 1982, com a caçada em curso.

Os operadores relatavam sons de hélice, marcas no fundo e contatos no sonar (aparelho que localiza objetos debaixo da água pelo eco do som). Em alguns dias, os contatos pareciam se mover em direções opostas, como se mais de um intruso estivesse na baía.

Nenhum submarino veio à tona. Nenhum casco foi achado danificado no fundo, e nenhum destroço apareceu na praia.

A maior caçada da Marinha sueca terminou sem prova física de submarino algum.

O relatório de 1983

Em abril de 1983, a Comissão de Proteção contra Submarinos, chefiada pelo ex-ministro da Defesa Sven Andersson, entregou o relatório oficial sobre Hårsfjärden. O texto afirmou que seis submarinos estrangeiros tinham operado em águas suecas durante a caçada, três deles dentro do arquipélago.

A comissão apontou a União Soviética como responsável. Citou trilhas no fundo do mar, que atribuiu a minissubmarinos com esteiras, e os sinais acústicos gravados pelos hidrofones.

Palme entregou uma nota formal de protesto a Moscou. O governo soviético negou qualquer operação e chamou o relatório de provocação.

A década dos alarmes

Depois de 1983, o padrão se repetiu. Moradores do litoral relatavam periscópios, a Marinha registrava sons, os jornais publicavam mapas das áreas fechadas, e a busca acabava sem casco.

O governo sueco endureceu as regras. Em 1987, a Marinha recebeu ordem de forçar à superfície, com armas se preciso, qualquer submarino estrangeiro achado em águas internas.

As caçadas seguiram até o começo dos anos 1990. Os arquivos acumularam centenas de relatos, e nenhum deles terminou com um submarino capturado, fotografado de perto ou identificado pela bandeira.

 
 

II  A Origem

O som das bolhas

A explicação de parte dos sons veio da biologia. Os biólogos suecos Magnus Wahlberg e Håkan Westerberg publicaram em 2003, na revista científica Aquatic Living Resources, o estudo “Sounds produced by herring (Clupea harengus) bubble release” (Sons produzidos pela liberação de bolhas do arenque).

O arenque (Clupea harengus, peixe pequeno e prateado que nada em cardumes enormes no Báltico) tem uma bexiga natatória, o saco de ar que controla a flutuação do peixe. Esse saco se liga ao tubo digestivo, e o ar sai pelo ânus em forma de bolhas.

Wahlberg e Westerberg gravaram cardumes de arenque em tanques e no mar. Cada liberação de bolhas produzia uma série rápida de estalos, um som agudo que lembrava uma hélice girando. Os dois pesquisadores compararam essas gravações com sinais guardados pela Marinha sueca.

A semelhança era grande. Os estalos dos cardumes apareciam à noite, quando o arenque sobe do fundo para comer, e se espalhavam pela água rasa do arquipélago, justamente onde as caçadas aconteciam.

Parte dos sons gravados como hélice de submarino era o arenque soltando ar à noite.

O prêmio das bolhas

Em 2004, o grupo do biólogo britânico Ben Wilson, com Robert Batty e Lawrence Dill, publicou na revista Biology Letters um estudo com arenques do Pacífico e do Atlântico. O trabalho batizou o som de FRT, sigla em inglês para “fast repetitive tick” (estalo rápido e repetido).

No mesmo ano, Wilson, Batty, Dill, Wahlberg e Westerberg dividiram o Ig Nobel de Biologia, prêmio satírico da revista Annals of Improbable Research, entregue na Universidade Harvard a pesquisas que primeiro fazem rir e depois fazem pensar.

Os pesquisadores sugeriram que o arenque usa os estalos para manter o cardume unido no escuro. O peixe ouve bem nessa faixa de som, e os predadores dele, em geral, não.

O que o estudo não disse

O trabalho de Wahlberg e Westerberg não afirmou que todos os sinais eram de peixe. Explicou uma classe de sons, os estalos rápidos captados à noite, e deixou de fora relatos de periscópio, trilhas no fundo e contatos de sonar.

Nos anos 1990, a própria Marinha sueca reconheceu em revisões internas que parte das gravações atribuídas a submarinos vinha de animais. Entre os suspeitos, além do arenque, estavam visons nadando perto da costa.

 

Quem banca a edição de hoje

The AI newsletter curated by engineers who build it

TLDR AI is a free daily email curated by Anthropic and ex-Google engineers: the new tools worth trying and the research worth understanding, summarized for 1.1M+ readers.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Combustível

O submarino que existiu

A suspeita durou uma década porque nasceu de um fato. O U 137 encalhado em Karlskrona era real, com tripulação, comandante e radiação medida no casco. Depois de 1981, ninguém na Suécia podia dizer que submarino soviético em águas suecas era fantasia.

O contexto também pesava. A Suécia era neutra na Guerra Fria, fora da Otan, e a costa leste dela ficava a poucas horas de navegação das bases soviéticas no Báltico. Cada alarme parecia confirmar o medo de uma invasão preparada em silêncio.

A tecnologia ajudava a alimentar a dúvida. Os hidrofones dos anos 1980 captavam sons sem mostrar a fonte, e os operadores, treinados para achar submarinos, tendiam a ouvir submarinos.

O encalhe de 1981 deu à Marinha sueca um motivo real para tratar cada estalo como inimigo.

A tese do intruso ocidental

Nem todos culparam Moscou. O pesquisador norueguês Ola Tunander, do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, publicou em 2004 o livro “The Secret War Against Sweden” (A guerra secreta contra a Suécia).

Tunander defendeu que parte das intrusões em Hårsfjärden foi feita por submarinos ocidentais, americanos e britânicos. Segundo ele, o objetivo era testar as defesas suecas e empurrar o país neutro para perto da Otan. Os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido nunca confirmaram a tese.

Em 2001, uma nova comissão do governo sueco, chefiada pelo diplomata Rolf Ekéus, revisou as caçadas. O relatório manteve a suspeita de operações estrangeiras em alguns casos, mas não conseguiu atribuir a bandeira de cada intruso.

O alarme de 2014

Em outubro de 2014, a Marinha sueca voltou a fechar o arquipélago de Estocolmo atrás de um suposto submarino russo. A busca durou cerca de uma semana e terminou sem captura, como as caçadas da década de 1980.

O comando militar divulgou uma foto borrada de um objeto na superfície, tirada por um morador, e disse ter indícios confiáveis de atividade submarina estrangeira. Moscou negou. Nenhum casco, destroço ou tripulante apareceu, e o governo sueco encerrou a operação sem nomear o país responsável.

O que segue sem resposta

Não se sabe quantas das centenas de alarmes envolveram submarinos de fato. Parte dos arquivos militares segue classificada, os sinais antigos foram gravados com equipamento limitado, e nenhum governo estrangeiro admitiu operar no arquipélago depois de 1981. O arenque explica uma parte dos sons, e o restante continua sem dono.

Confira sozinho, em 3 passos:

• a data do encalhe do U 137 em Karlskrona, 27 de outubro de 1981;

• o ano do estudo de Wahlberg e Westerberg sobre as bolhas do arenque, 2003;

• o prêmio que os pesquisadores dividiram em 2004, o Ig Nobel de Biologia.

 
 
Quiz da edição

Segundo o relatório oficial de abril de 1983 sobre a caçada de Hårsfjärden, quantos submarinos estrangeiros a comissão afirmou terem operado em águas suecas?

ATrês, todos dentro do arquipélago
BSeis, três deles dentro do arquipélago
CDez, nenhum confirmado por sonar
DNenhum, apenas sinais de hidrofone

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🕵️🕵️🕵️🕵️🕵️  ótima 🕵️🕵️🕵️🕵️  boa 🕵️🕵️🕵️  ok 🕵️🕵️  ruim 🕵️  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 01/11, 23h

A Conspiração da Pólvora →
B Plano Cohen →
C HAARP em Gakona →
D Robert Hubert →
 
Recomendação de Newsletter
Ciência Bizarra

Ciência Bizarra

Todo dia, 20:20. Um fenômeno verificado que desafia o senso comum, com a fonte na mesa. Espanto com paper, não com clique.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
 
 

Agora você sabe o fim.

Conspiração do Dia

CONSPIRAÇÃO DO DIA

Uma teoria por dia, explicada até o fim

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter