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Em março de 1998, Stanley Meyer jantava num restaurante de Grove City com o irmão Stephen e dois investidores belgas. Depois de um brinde com suco de cranberry, ele agarrou o pescoço, saiu correndo e caiu no estacionamento.
Segundo o relato de Stephen Meyer à imprensa local, as últimas palavras do inventor foram “Eles me envenenaram”. A frase bastou para que admiradores ligassem o caso a petroleiras, governos e agentes estrangeiros.
O laudo
A polícia de Grove City investigou. O legista do condado de Franklin fez a autópsia e concluiu que a causa foi um aneurisma cerebral, o rompimento de uma artéria dilatada no cérebro, quadro que pode matar em minutos e provoca dor súbita e desmaio.
Nenhum veneno apareceu nos exames, e a investigação foi encerrada sem suspeito. Os nomes dos dois investidores belgas nunca vieram a público nos registros conhecidos, e ninguém os acusou formalmente.
O aneurisma também explica a cena do restaurante. A ruptura costuma causar a pior dor de cabeça da vida da pessoa, náusea e perda de consciência em segundos, sintomas fáceis de confundir com envenenamento para quem está à mesa.
Por que a lenda sobrevive
A versão do assassinato se espalhou pela internet nos anos 2000, em vídeos caseiros e documentários independentes. Neles, Meyer aparece como gênio isolado, e a sentença de 1996 quase nunca é mencionada.
A crença se apoia em fatos verdadeiros. O inventor existiu, as patentes existem, o buggy foi filmado e a morte foi repentina. O passo dado pela lenda é ligar esses fatos a um motivo que nenhum documento sustenta.
Ficam de lado o tribunal, os três peritos e a termodinâmica, que valem para qualquer garagem do planeta. Hoje, entusiastas ainda vendem kits de “hidrogênio na hora” para carros, sem ganho de consumo comprovado em teste independente.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, avaliou aparelhos de economia de combustível vendidos ao público e não encontrou benefício relevante nos que testou, segundo os relatórios da própria agência.
Fica a questão para quem lê: se a água movesse carros, por que nenhum dos milhares de seguidores de Meyer refez o buggy nos quase 30 anos seguintes?
Confira sozinho, em 3 buscas:
• a patente americana 4.936.961, de 1990, em nome de Stanley Meyer;
• o processo de Laughton e Black contra Meyer, Ohio, 1996;
• o laudo do legista do condado de Franklin, março de 1998.
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